segunda-feira, 1 de outubro de 2012

A VIDA CONTINUA...CONHEÇA A HISTÓRIA DE MAURÍCIO FRIGO, CADEIRANTE A 7 ANOS


A vida continua ...

            A vida tomou rumo diferente em uma noite fria e chuvosa no mês de julho de 2006, quando voltava para casa de uma festa julina do colégio onde cursou o ensino médio. Conduzindo uma motocicleta ao tentar efetuar uma ultrapassagem em um carro veio a colidir, isso porque o mesmo entrou em uma esquina sem dar seta,tendo como seqüelas lesão medular (T4) e fratura na clavícula esquerda.
            Após ser socorrido, foi enviado ao hospital de uma cidade que fica a 100 km de onde resido, dois dias depois passando por cirurgia e com mais 45 dias hospitalizado conseguiu alta.
            Não estava muito preocupado com a situação apesar de continuar dormindo em uma cama de hospital em um quarto improvisado na sala de casa e usar fraldas, devia ser porque não sentia dor alguma ou quem sabe por não ter clareza do que é uma lesão medular, simplesmente achando que em  alguns meses os movimentos voltam.
             Horas, dias e meses foram passando e o Mauricio continuava na mesma, aí aos poucos foi caindo a fixa, pensou “putz o troço é complicado mesmo”. Quem mais sofria era os familiares do que ele que estava  esticado na cama, até na época bateu uma mega depressão em sua mãe. Deve ter sido porque coincidiu o acidente no mesmo dia em que um irmão dela faleceu e velo em um leito de hospital, não deve ser nada fácil para uma mãe, isso o deixava mais mal do que estar sem movimentos, mas com o tempo  ela  saiu dessa.
Passou-se quase um ano e ele conseguiu uma vaga para internar na Rede Sarah Kubitschek(centro especializado em reabilitação de PNEs), localizado em Brasília, ficou na ocasião até um tanto apavorado quando conseguiu a vaga por não saber o que encontraria por lá, mas como era para  mudar algo, foi para o Distrito Federal!
             Com esta primeira internação começou a ganhar independência e ficar malandro  e íntimo com a cadeira, não só com ela ,mas com a vida, porque é como se nascesse  novamente, aprender a tocar a cadeira ao invés de trocar passos, vestir roupa, calçar um tênis, higiene pessoal, conhecer aos poucos o corpo novamente e  assim  por diante.
            A partir da ida ao DF, percebeu que não era digno se quer de reclamar  dos empecilhos que a vida o apresentou, porque muitos que estavam lá dariam  tudo para fazer o que faz, ter a família que tem e a saúde que o restou, diria que é uma nova chance que recebeu de viver e passar a dar mais valor a gestos,atitudes e valor dos que conviam com ele.
            Mas como a vida continua........  o negócio é não parar, desde o início da lesão sempre dando continuidade a atividades físicas e antes de fechar dois anos de lesão conseguiu novamente a sua CNH, adaptou um carro com isso se motivando mais a viver. Vendo que nem tudo estava perdido e que podia fazer muitas coisas mesmo não caminhando.
            Disse:No ano de 2009  marcou muito, porque prestei vestibular para o curso de design gráfico em uma universidade que fica a 100 km de casa, por conta da  distância fui morar lá. Experiência fantástica porque para quem tinha comida e roupa lavada e tudo em mãos, tive que me virar, indo somente com duas malas de roupas e as duas cadeiras sem ter lugar certo para morar, consegui mobiliar um quarto, mesmo passando por tremendos momentos  como ficar empenhado com o carro de madrugada na br no meio do nada e que nem celular pega até não conseguir lugar para alugar, mas como todos estamos sujeitos a ter problemas na vida, comigo não poderia ser diferente. Mas só fiquei um ano fora de casa, isso por ter altos custos (mensalidade, aluguel e carro + vida de universitário não é barata não) então voltei para casa. Mas a vida me ensinou muito, me preparou para enfrentar o mundo, sem falar na independência que peguei e com muito orgulho pude falar que consegui me virar um ano fora de casa morando praticamente sozinho.
            Vi que não podia parar, então vamos tentar novamente, bora prestar vestibular de novo, agora em uma cidade vizinha, tri pertinho de casa. Passeiiiiiiiii em Direito, isso só me motivava mais ainda a viver, mas esse curso não parei, já estou na metade e se tudo der certo em breve espero me formar.Maurício Frigo"

             Início da lesão é um tanto complicado para  o próprio lesado e familiares, isso porque não se tem noção e conhecimento sobre o que é uma lesão medular.Ter uma estrutura familiar é metade do caminho andado. E quando entramos no quesito sobre amizades é neste momento que eles fazem a diferença, mas também uma ótima oportunidade de ver quem realmente ta com você nessa situação.
             Em relação a sociedade ou você se insere novamente ou é esquecido, oportunidades e pessoas não batem na sua porta, independente  de seus problemas ou limitações. O país anda a passos lentos, quando se trata de acessibilidade e oportunidades, mas cabe a cada um de nós lutarmos para buscar nossos direitos e  mudanças.
             Hoje se fosse somente querer freqüentar locais com acessibilidade, praticamente não sairia de casa, assim  todo dia é dia se é feito praticamente uma maratona diante de tantos obstáculos que aparecem.
            Aos poucos retorno a rotina com estudos, atividades e lazer que é marcar presença  em grande parte das baladas que acontecem nas noites da serra gaúcha.



            Comparando ao que fazia antes só não estou trabalhando, mas somente para mais alguns meses. Ao meu ver é mais difícil o mercado de trabalho adaptar-se ao portador do que o portador a ele, por conta disso que continuo afastado.
            Grande parte da motivação e força para continuar essa vida vem de familiares e amigos e o restante da motivação são sonhos, metas e objetivos que almejo. É  isso  que me faz crer que não é porque deixei de caminhar que a vida acabou, mas sim vejo como uma nova chance para se viver e mostrar do que sou capaz.
            A vida continua mesmo sendo guiado por rodas............

           
Maurício Frigo,
25 anos
Solteiro
Estudante do curso de DIREITO
Nova Bassano/RS
História Real,
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Um comentário:

  1. História linda... um show de força de vontade e coragem..Parabéns!!!

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