quarta-feira, 24 de outubro de 2012

As lentes inclusivas de Kica de Castro



Já dizia o poeta que todo artista tem de ir onde o povo está. Mas quando o público nem imagina que é possível superar os limites físicos para ganhar destaque nos editoriais de moda e anúncios publicitários, onde este artista deve estar?Afinal de contas, de que público estamos falando?
No Brasil, temos uma nação formada por 45 milhões de pessoas que tenham algum tipo de deficiência. Pessoas, praticamente excluída em muitos de seus direitos. Se os assuntos básicos, direito de ir e vir, lei de cotas, educação inclusiva, entre outros pontos não são respeitados, o que se pode imaginar de seguimento rígido em regras e que determina padrões de beleza? Que a inclusão pela moda, é praticamente impossível. 
Na contramão de regras e determinações impostas pela sociedade, surge uma luz no fim do túnel. Onde muitas pessoas só conseguem ver o preconceito, a publicitária e fotógrafa Kica de Castro, com suas lentes inclusivas vê a beleza em pessoas com alguma deficiência. Sua experiência vem das atividades fotográficas que desenvolvia em um centro de reabilitação para pessoas com deficiência física, entre os anos de 2002 a 2007. Foram cinco anos de contato direto com muitos sonhos em comum, o de ser modelo profissional com deficiência. Vários contatos foram feitos com agências e produtoras e as oportunidades não apareciam, foi então que em 2007, Kica apostou nesse mercado de trabalho, deixando o seu emprego fixo e abrindo a sua própria empresa. Surge então à primeira agencia de modelos, onde o casting é formado 100% por profissionais com alguma deficiência. “Costumo dizer que surgiu primeiro a oportunidade, para depois formar o artista. Eu estava no local certo e soube escutar as pessoas. Apostei no projeto e hoje colhemos os frutos que plantamos no passado” – relata Castro. 
Objetivo da agencia e provar que beleza e deficiência não são palavras contraditórias e que os aparelhos ortopédicos (cadeira de rodas, muletas, bengalas...) podem ser considerados um acessório de moda. 
A criatividade esta presente em todo momento em poses e ângulos. 

Confiram algumas imagens:




Julio Teruyu, modelo fotográfico, com amputação de membro inferior,
com o seu grupo de pagode, Só Resenha, no metrô Sé, fazendo uma roda
de samba no dia 21 de setembro, dia nacional da luta das pessoas com
deficiência. No local também estava presente a exposição, Vidas em
Cenas.





A modelo Caroline Marques, em desfile para estilista de moda
inclusiva, Candida Cirino, no Fashion Mob 2011






Juliana Caldas, atriz e modelo com nanismo, em editorial para a marca
Fator Brasil, moda inclusiva para pessoas com nanismo.




Maraísa Proença, modelo com amputação de membro inferior.Foto que fez
parte da exposição "Toda nudez vai ser revelada"




Rayane Landim
Rayane Landim, modelo com paralisia cerebral em ensaio sensual.





Reportagem Leska Reis
Fotos KiKa de Castro

2 comentários:

  1. mulheradas lindas to solteiro , tamo ai....

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  2. Parabéns mais uma vez a kica de Castro por todo o trabalho desenvolvido,Parabéns Leska Reis pela abertura de espaço e mente e também pela reportagem e as modelos mais uma vez estão lindas e profissionais; Parabéns!
    Rayane Landim- Modelo- Kica de Castro

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